10.9.08



Neste momento o relógio marca 02:03 da manhã. Estou de folga. Mais um dia falhado, sem planos ou objectivos atingidos. A casa está silenciosa, não se ouvem passos ou respiração. Apenas o vazio, escuro e dissolvente. O vazio, um nada que me encobre, que me faz sentir encurralada. Não gosto deste sentimento, mas de alguma maneira já me sinto acomodada. Todas as noites é o mesmo.
O céu. Esse azul imenso, salpicado pelo branco das nuvens. E se o azul de vida que possuo também fosse salpicado de pureza? Talvez não ignorasse as flores que pedem para brotar no meu caminho?
Olho mais de perto. Sinto o vento na face. Sinal de mudança?


I can not find a way to describe it, it’s there inside, and all I do is hide… I wish there it just go away. What would you do if you knew?
I feel like I I’m all alone, all by myself, I need to get around this… My words are cold; I don’t want them to hurt you. If I show you I don’t think you’d understand, because no one understands.

Compreendo então que o céu e a terra não estão assim tão distantes. Talvez tu não estejas assim tão longe. Se por meu passo te seguisse, talvez em pouco tempo chegaria a ti. Mas isso é ilusão. Pois meus passos não são mais que pedaços de nuvens salpicados na calçada do destino. Saltitando como uma criança, aí talvez a ti chegasse. Criança ignorante e inocente, que nada sabe das pedras desta calçada. Para ela, a calçada é céu, e o céu calçada. Porque o céu e a terra são unos. Mas não sou criança. Nem mulher. Nem pessoa. Nem céu ou calçada.


Everybody is always talking at me, everybody is trying to get in my head, I want to listen to my own heart talking, I need count on myself instead. Don’t you ever lose yourself to get what you want? Don’t you ever get on a ride and want to get off? Don’t you ever push away the one you should have close? Don’t you ever doubt your dream will never come true? Don’t you ever blame the world but never blame you? I will never try to live a lie again… I don’t want to win this game if I can’t play it my way!


Se fosse céu quereria ser terra. Se de terra me tratasse desejaria ser calçada. Se fosse calçada quereria ser criança. Se criança nascesse desejaria ser mulher. E enquanto mulher sonharia ser céu salpicado de nuvens brancas de pureza. O que sou? No que me tornarei? Terei de aceitar o meu destino? Mas o que é o destino?
Ser o que sou, tornar-me algo, aceitar o meu destino seja ele o que for? Seguir o fio de vida que me deram á nascença? Segui-lo, entre céu e terra, pisando esta calçada de destino? Será esse o meu propósito?



It’s no good at all, to see yourself and don’t recognise your face, out on my own it’s such a scary place! The answers are all inside of me, all I got to do is believe! I’m not going to stop till I get my shot, that’s who I am, that’s my plan, we’ll end up on top again! To turn my life around, today is The Day…



O que não me mata torna-me mais forte. Mais resistente. Que me pisem, como se calçada me tratasse. Pois o caminho por onde sigo pode ser estreito, maltratado pelo tempo, escondido de modernidade e de atalhos, mas há-de chegar o fim, onde encontrarei o fim destas encruzilhadas e em que não haverão mais becos sem saída. Sem ratoeiras ou truques. Aí encontrar-te-ei. Sem lutar contra a calçada de destino, colhendo as flores que finalmente brotarão no meu caminho. E aí serei céu, calçada, terra, criança e mulher.

26.6.08


Hoje foi final do mês motivo mais que suficiente para estar bem disposta. Como já era de esperar. De manhã levantei-me e fui as compras com a minha mãe à concorrência. Sim, porque infelizmente o meu ordenado não suporta as compras no meu local de trabalho. Portugalinho medíocre. Nada a que os portugueses já não estejam habituados. Chegar ao final do mês e reparar que afinal, aquelas horas de trabalho que pareceram incessantes, as dores de cabeça, o stress constante, até não valeram assim de muito.
O shopping está movimentado. Provavelmente pelo fim do mês estar a aproximar-se. Enfim, consumismo imediato. Algo que nunca me interessou muito. Sou capaz de estar um semana sem comprar nada, nem sequer café. Estou a espera que o meu telemóvel toque. Não há meios. Que nervos. Continuando, ontem tive uma conversa surreal com uma das minhas supervisoras. Tudo a partir da mudança de horários. Ainda por cima, não simpatizo nada com ela. É uma daquelas coisas que achamos impensáveis e que quando acontecem ficamos pasmados e ainda a pensar se realmente aconteceu. É verdade. Não suporto o feitio dela, não que ela me tenha feito alguma coisa que me importunasse. Acontece que quando não vou com a cara de uma pessoa é complicado. Raramente acontece… mas quando acontece a minha relação com essa pessoa está arruinada já a partida. A não ser que a pessoa em questão me dê motivos para pensar o contrário, é claro.
Passei o dia de ontem a escrevinhar o meu horário. Tenho que planear as minhas férias. Não as posso deixar ao Deus dará. O problema é que torna-se difícil planeá-las a longo prazo. Por mais que tente, acaba sempre por surgir um imprevisto. Gostava de conseguir ir a praia todos os dias de bicicleta. Organizar o meu blog não seria nada mal pensado. Escrever um pouco mais também não. Fazer a tão esperada candidatura (dia 10 de Julho lá estou eu a porta com o Rafael, futuros universitários!). sim, porque depois das ferias faltará apenas um mês para abandonar o Jumbo e me entregar ao espírito académico. Isto se tiver vaga. Que vou ter como é obvio. Se eu não entrar com média de 17 nem sei que faço a minha vida… mas isso nem se põe em hipótese. Vou entrar. Não está garantido, falta um bocadinho assim. Agora que penso, o que vai ser das minhas colegas do balcão sem mim? A chefe tem que colocar alguém a aprender. Elas três sozinhas não conseguem gerir o trabalho. Se nem agora conseguimos. Ouvir dizer que a gasolineira abre em Setembro. Gostava de ainda cá estar para assistir a abertura. É sempre bom comer de borla! Não sei que operadoras vão passar para lá. Segundo a minha colega M.G., não há ninguém com estaleca para a coisa. Diz que são precisas pessoas enérgicas, que tenham iniciativa. Se já são poucas assim na frente de loja, se a abduzirem para a gasolineira então a loja esta perdida. E não estou a ser irónica, estou a ser bastante realista até. Se estivessem lá entendiam o que quero dizer.
A hora de entrada está-se a aproximar. A verdade é que por mim ficava aqui o resto da tarde a escrever. Escrever liberta-me. Isso sabe bem. Apesar de me estar a sentir ligeiramente observada, o que torna a minha estadia aqui um pouco incomodativa. Se me concentrar no que estou a fazer sinto-me noutro plano. Em que este olhares não me atingem. Não como o estão a fazer agora, neste preciso momento.
Acho que por hoje fico por aqui. Amanhã partilho mais um pouco contigo.

23.6.08

Estou na praia. E o bom é que não estou só na minha imaginação. Estou de facto sentada numa esplanada junto ao mar. Nem sabes as saudades que eu tinha desta envolvência. O mar, meu amigo das boas e más horas e meu confidente. A cada onda que passa sinto-me um pouco mais liberta, um pouco menos pré-definida. Sinto-me mais próxima do me “eu”, seja ele qual for. Quantas vezes não estive aqui, neste lugar, horas a fio, simplesmente a ouvir o mar. a deixar-me envolver? Quantas vezes chorei, sem motivo aparente, sozinha, apenas ouvindo este mesmo som que hoje ecoa neste lugar?
Aqui sinto-me bem. Não preciso de usar aquela mascara a que todos estão habituados. Aqui posso ser eu, sem medos nem vergonhas. Aqui sinto-me aconchegada e em paz, algo que raramente consigo atingir. Pensar que passei quase dois anos sem este meu pequeno paraíso. Desperdício. Confrontei-me a tempo com os meus erros.
Não há ninguém aqui (ignorando a família de ingleses que almoça calmamente nesta mesma esplanada). E apesar de os estabelecimentos de comércio habituais já estarem abertos, continuo a sentir-me confortável aqui.
A cada grão de areia pertence uma memória minha. Apesar dos meus (apenas) 19 anos de existência guardo bastantes aqui. Mais do que necessitava.

(fui interrompida por uma conhecida, conversa trivial apenas, sem interesse para o tema)

Enfim, definitivamente (tenho que começar a por de parte esta palavra) não há lugar no mundo comparável a este. Sim, as Maldivas e as Filipinas não contam. Esta é a minha praia. Este é o meu mar. Ai de quem diga o contrário! Perigo de morte garantido com certeza…
Escrevi neste lugar muitas das minhas poesias, curiosamente nenhuma dedicada ao senhor deste lugar, o mar. Minto, agora me lembro, tenho em um dos meus cadernos algo sobre ele. Quando chegar a casa vou procurar para te mostrar.
Gostava que a minha vida fosse mais como as ondas deste mar. A cada onda areia é remexida, renovada, desaglomerada... a cada embate, mudança. Preciso de um embate como esse neste momento. Sei que em Julho começam as candidaturas mas enquanto não estiver a sair da universidade com a matrícula já feita, tudo é incerteza. E enquanto houver esta incerteza persistente, não consigo mudar. E digo mudar no sentido da palavra. Não pequenas alterações na rotina e nos hábitos.
Em Leiria seria uma nova Lena. Diferente daquela que conheces. Mais determinada, como estas ondas farei mais sentido. Com um rumo traçado e com um numero relativo de objectivos na cabeça. Tentarei ser menos ingénua. Sabes que isso vais ser o mais difícil. Não o admito, nem aos meus amigos nem a ti (a família de ingleses acaba de sair). Eu e os meus defeitos nunca fomos muito íntimos. Limito a guarda-los numa gaveta separada no meu ser. Trancada a sete chaves de preferência. Não quero com isto dizer que tenha algum problema emm admiti-los. Não tenho. Decido apenas ignora-los. Há-de chegar o dia em que nos confrontaremos, mas par aja não.
O sol começa a espreitar neste dia que tyeima em ser cinzento. Não que eu me preocupe muito, porque na verdade é-me indiferente neste momento.
(suspiro)
Houve alturas em que senti, de facto, a falta de alguém do meu lado. Curioso que não o sinta agora. Acho que é a primeira vez que me sinto confortável por estar sozinha.
Esta semana tem sido um confronto constante entre mim e a senhora Solidão. Chorei. Chorei muito. Sem que ninguém se apercebesse. Libertei angustias que retrai desde que voltei a casa. Entendi que não posso esperar mais dos meus amigos. Eles já fazem bastante. Sou eu que sou demasiado exigente. São os meus padrões, já estás habituado a eles, mas os outros não.
Gostava que um dia alguém me conhecesse como tu me conheces. Acho nunca ninguém se esforçou o bastante. Nem mesmo aqueles que pensam que sou um livro aberto. Conhecem o que dou a conhecer, e satisfazem-se com isso. Tu sabes que sou muito mais. Um dia alguém há-de saber, tal como tu, por mais distante e impossível que isso se pareça.
Tenho pena de nunca ter chegado a receber um abraço teu. Até mesmo estas ondas já me abraçaram. Acho que todos os meus amigos me deram pelo menos um abraço. Todos menos tu. É injusto. A vida é injusta, isso é dado adquirido
Curioso chamar-te “meu amigo”. Não devia, se nunca te cheguei a conhecer. É estranho, mas sinto que sempre estives-te aqui para mim. Sempre, sem barreiras espaciais ou temporais.
Estou cansada. Todo o meu corpo está cansado. Até a alma me pesa nos ombros.

Bem cá estou a iniciar uma nova fase da minha vida! Eu e o meu caderninho preto... É nele que tiro notas para aqueles textos que tenho guardados na minha cabeça e que infelizmente nunca chego a escrever.

Nem sei bem o porquê de isso acontecer. Preguiça, cansaço talvez.. Só sei que não pode voltar a acontecer e que tenho que começar a lutar contra isso, passo a passo. Vou escrever.

Aliás não só escrever, vou relatar, opinar, observar, dar a conhecer... Vou fazer tudo o que puder com as minhas palavras. Tudo mesmo. : ) Espero assim ganhar alento para continuar com isto* de uma vez e voltar a ser o que era!




*ISTO: algo indefinido que se passa entre a minha cabeça e o meu coração, mas que tenho que tentar gerir, se não dou em doida.

8.12.07


A vida,
Cruel e madrasta
Passagem no tempo...
Pensas mesmo isso?
Não restará nada?
Pára!
Olha à tua volta!...
O que vês?
Problemas sem solução?
Caminhos sem fim?
É isso mesmo?
Vê com mais atenção!
Olha para o céu...
Que vês?
Um azul límpido sem fim?
Olha para o sol...
Que reparas?
Que te aquece todos os dias,
Sem pedir nada em troca?
Olha para ti que vês?
Alguém sem esperança?
Sem saber o que fazer?
Pára novamente!
E pensa...
Quantas vezes paraste para olhar o céu ou o sol
Ou até para ti mesmo/a?

Não sei bem o que me seduz em ti...
Se é algo em particular
Ou se tudo!
Dizem que o todo é maior
Que a soma das partes...
Isso aplica-se a ti.
O teu intelecto
Combinado com a tua maneira de ser
Transformam-te num indivíduo demasiado peculiar
Para ser real...
Por vezes dou por mim
A pensar
Porque é que te cruzas-te
No meu caminho?
Com tantos milhões de seres humanos
Que coabitam no mundo...
Porque eu?
Será que tens alguma mensagem para mim?
Algum ensinamento?
Alguma lição?
Será que deves influenciar-me com a tua maneira de ser?
Será que tens esse direito ou será antes um dever?
E eu?
Serei digna de poder partilhar da tua sabedoria?
Questões a que só o tempo poderá responder.

Tens algo em ti
De especial,
De particular...
Algo que te torna único,
Excepcional...
Não sei se é a tua busca incessante pelo saber
Ou se a tua inconformidade com o que te rodeia...
Algo que vai para além
Da minha compreensão...
Mas que não faço questão
De compreender...

Fascinas-me sabes?

Não sei por quanto mais tempo
Está sensação irá durar...
Mas quero gozar
Cada instante,
Cada momento,
Que a vida me proporcione
Para estar do teu lado
E aprender mais um pouco...

Não sei bem a razão
Porque não me deixas descobrir
Aquilo que guardas
No teu intimo...
Mas não quero pressionar-te...
Porque a meu ver não tenho direito
Nem posso,
Entrar na tua mente...

Um dia,
Talvez,
Tenhas a confiança necessária
Para me confessares
O que tentas recalcar
No teu inconsciente.

Até lá,
Espero pacientemente,
Deleitando-me com cada conversa,

Com cada partilha de pensamentos,
Com cada troca de valores e crenças,
Que estimulam a minha mente
E que me fazem não só pensar
Mas reflectir
Sobre aquilo que devo reger a minha vida...
Na convicção
De que nunca deixes
Esse teu jeito próprio,
Tão teu...
Na esperança que ao longo deste ano
Me ajudes
(Nem que seja)
Apenas pela tua presença
A tornar-me numa pessoa melhor.

2.12.07


Ser eu poderá ser tu ao mesmo tempo?
Sentir-me em ti,
Respirar o mesmo ar,
Sentir o mesmo sol,
O mesmo vento acariciando a face.
Poderá isso ser real?

Ser eu poderá ser tu ao mesmo tempo?
Alimentar-me do sentimento que nos une,
Que nos torna luz,
Que me faz acreditar que existo,
Que sou alguém de verdade.

Ser eu poderá ser tu ao mesmo tempo?
Sentir que não preciso de qualquer religião,
Porque tu és a resposta a todas as perguntas,
A todos os anseios,
A todos os medos.
És a existência e a realidade de todo o Universo

Ser eu poderá ser tu ao mesmo tempo?
No meu ser,
Na minha alma,
No meu coração,
Sinto a necessidade de ti.
Da tua essência,
Da tua simples e humilde existência,
Que torna cada dia desejável.
Que me faz acreditar que sou merecedora
Do ar que respiro.

Ser eu poderá ser tu ao mesmo tempo?
Que estrada é esta onde nos encontramos?
Que caminho longo temos ainda a percorrer?
Que mundo temos que enfrentar?
Porque ainda tenho medo?

Estás aqui. Eu sei que estás.




A minha vida está por um fio...
Um pequeno e frágil fio!
Como poderei seguir em frente?
Como poderei eu não ter medo?
E tu não tens medo?

Quero esconder-me
Onde não me encontrem....
Onde não me possam magoar,
Onde não escolham o meu futuro,
Onde o futuro me escolha a mim!

Quero voar por terras distantes!
Conhecer o que nunca vi!
Quero ir-me embora!
Quero seguir o meu fio de vida
Onde ele me quiser levar!
E tu?
Deixar-te-ias guiar pelo teu fio de vida?

Quero desacorrentar-me,
Desprender-me,
Deixar aquilo que me pesa no coração:
Tristezas,
Angustias,
Medos.
Incertezas....
Substitui-los por
Alegria,
Paz,
Objectivos!

Peço às estrelas que me guiem,
Que me encaminhem na minha longa demanda!
Rogo ás nuvens que me deixem voar,
Deslumbrar-me na sua brancura e leveza....
Desejo do fundo meu ser encontrar um caminho a seguir....

Será assim tão árdua a espera?
Não haverá uma força
Que sossegue as minhas ânsias?
Terei eu de encontrá-la dentro de mim?





Desta simples janela,
Comum a tantas outras,
Vejo mais do que a vista alcança...
Vejo para além do céu,
Do sol, dos montes e árvores....
Vejo dias melhores,
Sorrisos,
Felicidade e harmonia!

De uma simples janela,
Vejo o que o mundo teima em mostrar,
Vejo paz e conforto,
Vejo luz e calor...
Vejo um sonho escondido que teima em revelar-se,
Vejo palavras nunca ditas
E actos nunca praticados...

De uma simples e comum janela,
Vejo um futuro risonho,
Especial....
Vejo uma estrada sem fim,
Vejo algo que todos tentam ignorar,
Percebo algo o ninguém tenta aceitar,
O que ninguém quer entender:

Não somos nós os donos do nosso futuro,
O futuro é que nos tem em sua posse!