6.6.11




Insónia. Ausência prolongada de sono ou dificuldade grave em adormecer. Tenho andado assim estes últimos dias. Ora, para uma pessoa que está habituada a dormir "que nem um pedra" isto é mais que anormal.  Sou o tipo de pessoa perfeita para viver ao lado de uma linha de comboio. Como diz a minha mãe, a linha bem que podia passar através da casa, que eu permaneceria no meu sono de beleza como se nada se passasse. Fora de divagações, isto anda mesmo a mexer comigo. Não falo só da falta de sono, mas do facto de já ter puxado pela cabeça de todas as maneiras e feitios e mesmo assim não conseguir aproximar-me do motivo real pelo qual fico acordada. Ou será que não é só um? Vejamos:

Conversa com o meu pai, um dia destes, por telemóvel:

Pai: "Então agora quando é que vens cá?"
Eu: "Não sei pai, talvez no feriado de 10 de Junho"
Pai: "Pois, também está quase a acabar não é? Falta o quê? Mais um mês, nem isso?"
Eu: "Sim pai, daqui a um mês volto para casa definitivamente"
Pai: "Então depois tens que começar a procurar trabalho..."
Eu: "Achas que eu não sei disso?"
Pai: "Mas como isto 'tá, não sei como vais fazer... Não há trabalho para ninguém!"
Eu: "Ok pai, depois vou dando novidades. Vá xau, dá um beijo à mãe!"
(desligo a chamada)

Por onde começar? Qual o verdadeiro centro desta conversa? Um pai que está com saudades de ver a filha ou um subtil alerta de consciência como quem diz “Acabas o curso daqui a um mês, começa a pensar na vida!” Independentemente da motivação real desta conversa, isto entranhou-se. Entranhou-se de tal forma que me arrisco a dizer: eis a fonte de todos os males.

Agora que penso nisso, não foi só a alusão indirecta do meu pai à subida da taxa de desemprego para 12.6% que me levou a este estado precário de sono. O problema é que esta conversa ocorreu um dias depois da minha Bênção das Pastas, momento em que se oficializou a recta final destes 3 anos. É inevitável, o fim está iminente, e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Quem me conhece minimamente sabe que sou completamente adversa a grandes mudanças. Ainda para mais mudanças sobre as quais não tenho grande margem de manobra. Estes foram os (cerca de) 1095 melhores dias da minha vida! E as amizades criadas deixam marca, e apesar de ter perfeita noção que isto não é o fim de nada, custa pensar-me longe das nossas piadas privadas e risos compulsivos. No fundo acaba por ser isso não é? Uma colecção de memórias, umas atrás das outras, um conjunto de novas aprendizagens que levamos de etapa para etapa, na esperança de adicionar mais umas quantas pelo caminho, aguardando que no fim façam algum sentido.

Ontem foi sem dúvida o pior episódio de todos. Quanto mais fechava os olhos, mais desperta ficava. Quanto mais tentava esvaziar tudo da cabeça, mais os pensamentos teimavam em aparecer e gritar-me ao ouvido “Estamos aqui!” e o raciocino compulsivo começava. Curioso, vêm sempre em cadeia os sacaninhas. É inevitável. Ainda não tinha esquematizado um, já outro estava a reclamar em fila de espera. E quando olhei para o relógio pela última vez eram 5.13 am. Isto depois de: ter revirado na cama uma longa hora; ter lido um livro do início ao fim; ter bebido um leite quente com chocolate; ter estado à janela a divagar sobre que tempo faria hoje e pensar em como me sinto pequena quando olho para as estrelas…

Não consegui evitar reflectir sobre como estes momentos sabem sempre a um misto de libertação e solidão. De tempos a tempos sou assolada por este último estado de alma, que tem o talento macabro de se entranhar fundo e questionar o sentido de muita coisa. Chego à sóbria conclusão que a solidão que sinto, não a sinto, penso-a. Mais um factor provável da minha ausência de sono. Ela dança-me na cabeça noite após noite e a culpa é minha que a deixo dançar!

Espero que seja só uma fase. Comigo nunca de sabe.

3.5.11

To Helen (Poe, 1848)

by Edgar Allan Poe



I saw thee once- once only- years ago;
I must not say how many- but not many.
It was a July midnight; and from out
A full-orbed moon, that, like thine own soul, soaring,
Sought a precipitate pathway up through heaven,
There fell a silvery-silken veil of light,
With quietude, and sultriness, and slumber,
Upon the upturned faces of a thousand
Roses that grew in an enchanted garden,
Where no wind dared to stir, unless on tiptoe-
Fell on the upturn'd faces of these roses
That gave out, in return for the love-light,
Their odorous souls in an ecstatic death-
Fell on the upturn'd faces of these roses
That smiled and died in this parterre, enchanted
By thee, and by the poetry of thy presence.


Clad all in white, upon a violet bank
I saw thee half reclining; while the moon
Fell on the upturn'd faces of the roses,
And on thine own, upturn'd- alas, in sorrow!


Was it not Fate, that, on this July midnight-
Was it not Fate, (whose name is also Sorrow,)
That bade me pause before that garden-gate,
To breathe the incense of those slumbering roses?
No footstep stirred: the hated world all slept,
Save only thee and me. (Oh, Heaven!- oh, God!
How my heart beats in coupling those two words!)
Save only thee and me. I paused- I looked-
And in an instant all things disappeared.
(Ah, bear in mind this garden was enchanted!)


The pearly lustre of the moon went out:
The mossy banks and the meandering paths,
The happy flowers and the repining trees,
Were seen no more: the very roses' odors
Died in the arms of the adoring airs.
All- all expired save thee- save less than thou:
Save only the divine light in thine eyes-
Save but the soul in thine uplifted eyes.
I saw but them- they were the world to me!
I saw but them- saw only them for hours,
Saw only them until the moon went down.
What wild heart-histories seemed to lie enwritten
Upon those crystalline, celestial spheres!
How dark a woe, yet how sublime a hope!
How silently serene a sea of pride!
How daring an ambition; yet how deep-
How fathomless a capacity for love!


But now, at length, dear Dian sank from sight,
Into a western couch of thunder-cloud;
And thou, a ghost, amid the entombing trees
Didst glide away. Only thine eyes remained;
They would not go- they never yet have gone;
Lighting my lonely pathway home that night,
They have not left me (as my hopes have) since;
They follow me- they lead me through the years.
They are my ministers- yet I their slave.
Their office is to illumine and enkindle-
My duty, to be saved by their bright light,
And purified in their electric fire,
And sanctified in their elysian fire.
They fill my soul with Beauty (which is Hope),
And are far up in Heaven- the stars I kneel to
In the sad, silent watches of my night;
While even in the meridian glare of day
I see them still- two sweetly scintillant
Venuses, unextinguished by the sun!

2.5.11



Confiança
(s. f.)

1. segurança íntima ou convicção do próprio valor
2. segurança de alguém que crê em alguém ou alguma coisa; certeza
3. crédito
4. ânimo

(s. f.)

1. crença absoluta na existência ou veracidade de certo fato; convicção íntima
2. compromisso de fidelidade à palavra dada; lealdade
3. confiança absoluta (em algo ou em alguém); crédito

Confiança e fé. Termos similares, que podemos depositar tantos em nós próprios como nos outros. Dizem que o primeiro passo é acreditarmos em nós, já que sem isso provavelmente estaremos em situação débil para criar uma base de confiança com alguém. Confiar e ter fé em mim mesma. Será que o faço realmente ou é uma mascara que uso durante o mundo? Olhando para trás observo uma evolução. Evoluí de facto. Dos dias em que pensava que devia demonstrar ser algo para merecer confiança até aos dias em que percebi que sendo apenas eu era mais que suficiente. Não ocorreu nada extraordinário para provocar esse salto, talvez uma melhor consciência do meu eu. Uma visão de mim mais bem definida contribuiu para que me deixasse ser natural, sobretudo mais espontânea.


1º passo - Confiar em mim
2º passo - Confiar no outro


É aqui que se levantam discussões maiores. Sempre tive tendência a depositar demasiada confiança nas pessoas, especialmente a tratar alguém por "amigo" demasiado cedo. Como é óbvio já tropecei muitas vezes à custa disso. O que nos leva a confiar cegamente? O tempo, a constância da pessoa na nossa vida, o provar o seu valor em situações extremas, uma palavra sábia na hora certa, o conforto que se sente quando se está na sua presença. Existem um sem número de variáveis que nos levam a desbloquear e a sentir que “Ok, posso revelar o meu eu mais íntimo, estou em segurança”

Contudo, muitas vezes o nosso julgamento é afectado, vemos o que queremos ver, vemos aquilo que outro quer que vejamos, sem termos perfeita noção disso. Como diria o meu querido Dexter “Só vemos duas coisas nas pessoas: aquilo que queremos e o que elas nos mostram”. Claro que também não se pode viver constantemente de pé atrás com o mundo só porque houve alguém que se provou não ser digno de confiança (não sou fã da expressão “farinha do mesmo saco"), mas há que ter em mente que tudo deve ter conta, peso e medida, já que confiar nunca deixa de ser um risco que corremos.

Afinal a vida não é isso? Correr riscos? Arriscar ter fé em alguém é poder eventualmente fazer um amigo para a vida. Aquele meio caminho entre o sim e o não, o certo e o errado, tão constante, dá um sabor diferente a cada dia. Já confiei demasiado, já quis não confiar e construir um muro que impedisse qualquer tipo de falha, agora encontrei um meio-termo que me tem deixado bastante satisfeita. Ninguém nasce a pensar que um dia a sua vida vai acabar, porque raios se há-de formar amizades a pensar que provavelmente iremos sair desiludidos?

22.2.11




Nota Prévia: este texto foi escrito no passado dia 19. Por favor, faça o esforço de o ler em tom de ironia. Obrigada!


Aqui estou eu antes do começo de um novo semestre, depois de quase 5 meses fora do país - apesar de só ter passado a fronteira – e com uma semana de férias para me reorganizar. Tudo apontava para que esta reorganização não exigisse muito, mas o tiro saiu-me pela culatra. Começando pelo tempo, que não me deixou fazer nada durante toda a semana. Ainda fui até Porto Novo dar uma volta a pé para matar saudades, debaixo de chuva, visto que nem o tempo é mais teimoso que eu. Ver a minha praia num dia de Inverno não tem nada de apelativo, já que a foz dá uma cor bizarra à água do mar e as ondas gigantescas trazem camadas de entulho à costa. Mesmo assim não deixa de surtir aquele efeito tranquilizante! É, sem dúvida alguma, o melhor conselheiro privado que se pode ter (até porque nunca nos faculta conselhos indesejados).

Se o tempo foi um percalço, a greve da CP foi um pedregulho no sapato. No momento em que escrevo este post estou recostada dentro de um comboio parado sem hora prevista de saída, o que é bastante reconfortante. Pelo menos proporciona-me um momento de escrita, já não me posso queixar de tudo. Ora, tempo, CP, e que mais... Sim, as burocracias. Estamos em Fevereiro, 6 meses depois do início do ano lectivo, contudo ainda não sei o resultado da minha bolsa. Voltaram-me a pedir documentos que já foram entregues. Contudo só agora é que notaram a sua falta, visto que das duas vezes que interroguei os Serviços de Acção Social me tinha sido dito que só teria de esperar e que não seria preciso qualquer documento adicional. Com tudo isto só tenho vontade de dizer: viva Portugal! Nisto nuestros hermanos são bem melhores. Por falar em Espanha até agora tenho média de 8, o que é excelente! (não esquecer que o sistema espanhol avalia os alunos de 0 a 10) Até consegui 6 a História da Publicidade, se bem que tenho plena consciência que a professora foi condescendente. Tudo vai depender agora das equivalências que me derem cá, mas pela lógica não deve ser menos que 16, mas já não digo nada, como isto está é melhor não criar muita expectativa. Até porque sou a pessoa mais sortuda do mundo, quiçá da Europa!

Convenhamos, quem não tem a sorte do seu lado tem sempre que trabalhar o dobro, o que nos torna indivíduos muito mais resistentes a curto prazo, mas que a longo termo pode levar à ruptura. Que o diga o rei do Grunge, Sir Kurt Cobain, que se hoje estivesse entre nós completaria 44 anos. Autor de inúmeros êxitos, o vocalista dos Nirvana deixou-nos um legado extraordinário, embora tenha partido de forma pouco gloriosa. Não consigo imaginar o que passaria pela cabeça deste homem para pôr fim à própria vida. Para mim o suicídio envolve uma mistura estranha ente coragem e cobardia. Heart shaped box, que saiu para as rádios no ano de 1993, é uma das minhas músicas favoritas, por tudo o que significa para mim no seu conjunto: uma melodia genial, uma letra profunda, que reflecte ao ponto em que o amor nos prende involuntariamente a outra pessoa, e um videoclip para ficar a pensar um pouco. Bem que isto poderia ser o hino da minha vida! Ironias à parte, foi inquestionavelmente uma grande perda no mundo musical. A minha viagem está a chegar ao fim, quando tiver novidades sobre o meu regresso a Leiria faço um update

7.2.11

¡Te voy a echar de menos!



Aqui fica um vídeo de Segóvia durante a noite! Para quem não sabe, vivo entre a Catedral e o Ayuntamiento, que como podem comprovar pelas imagens, é um local privilegiado para se viver :) 

P.S. - Só faltam 3 dias para o regresso a Portugal e começo a sentir aquele aperto estranho no peito. Definitivamente, vou ter saudades desta pacata cidade!

Nota: ¡Te voy a echar de menos! traduz-se por "Vou ter saudades tuas!"

Cartoon da Semana


Frase da Semana


 "Quem vive só para si, vive para muito pouco"

6.2.11

Cântico Negro




Sem dúvida um dos meus poemas favoritos, e já que hoje estou nesta onda:


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

(José Régio)

Mensagem de Eperança



"Pensar fora da caixa é difícil para algumas pessoas. Continua a tentar"




Decidi partilhar convosco um vídeo absolutamente sarcástico de um senhor que sigo atentamente. Levni Yilmaz (Canal do Youtube: aqui), um cartoonista de S. Francisco, Califórnia. Se visitarem o canal poderão verificar o grau de genialidade da personalidade em questão, que toma conta de todo o processo, desde a criação ao produto final. A forma como coloca a voz é para mim a cereja em cima do bolo. É uma combinação infalível! Através dos seus vídeos Lev mostra o seu ponto de vista do mundo, o que nem sempre implica que seja positivo, como é costume para quem está habituado ao sistema do Thinking Outside the Box. A todos os que, como eu, se identificam com esta imagem sabem perfeitamente que pensar de maneira diferente nem sempre é compensador. Nadar contra a corrente, recusar ser mais uma ovelha no rebanho (perdoem-me a metáfora, mas de facto não melhor analogia que esta) por vezes traz mais contras do que prós. 

Este foi um dos últimos que o autor publicou no referido canal. Pelos vistos alguns dos visitantes consideram-no demasiado negativista, o que concluiu nesta clara e simples resposta. Devo confessar que fiquei aterrorizada depois de o ver pela primeira vez. Não pelo o elevado grau de ironia ao longo de todo o vídeo, mas por me ter relembrado que há por aí muito boa gente que vive assim. Não vale a pena categorizar, até porque é um pouco óbvio. Existem enumeras estradas que podem levar alguém a viver alienada desta forma. Ou talvez algumas até o sejam por escolha própria. Não contesto, respeito apenas. Apesar de voltar a reforçar que a ideia de fazer parte do rebanho, de ser padronizada ao ponto de não poder, aliás, de não saber criticar ou pensar por mim arrepia cada pelo do meu corpo. É fácil dizer a alguém "Vê o lado positivo" quando não somos nós a viver a situação propriamente dita. E cá para mim que ninguém nos ouve, alguém que viva sempre com um sorriso na cara tem algo a esconder. Ninguém é perfeito, e já que somos feitos de carne e osso (e não robôs pré-programados) que nos seja permitido desacordar, ter dias menos bons e anunciar o que quer que seja que "nos der na telha" ao resto da humanidade. Ter sempre em mente, como todos sabemos bem: a nossa liberdade termina onde começa a do outro. 

Não adianta de nada que me digam "Vê o lado positivo" se eu não sou capaz de o ver no momento. Cada um leva o seu próprio tempo a ajustar-se às situações menos positivas e, sinceramente, não adianta demonstrar um falso sorriso exteriormente, já que ao fazê-lo só nos faz relembrar que algo não está exactamente bem connosco. Então para quê fingir? Claro, chorar sobre o leite derramado nunca ajudou ninguém e a minha querida mãezinha sempre me disse "Filha arregaça as mangas e vai a luta". Como filha obediente que sou (*cof* *cof*), tenho feito isso desde que me recordo como gente. Sim, sim, há momentos em que desejo ser mais assim, acostumar-me, acomodar-me. Cansaria menos, é um facto, mas nunca seria eu!

21.1.11

Quase.

Quase. Quase em época de exames, quase no fim de Erasmus, quase de volta a Portugal e quase a terminar a licenciatura. Assim se vai meio ano sem se dar por isso. Novas experiências, novos amigos, novas vivências, que me fizeram crescer e denotar o verdadeiro sentido da palavra Casa. Casa é onde estão as pessoas que gostam de nós pelo que somos e com todos os defeitos que acarretamos connosco. Casa é onde podemos chegar ao final do dia e ter aquela sensação de (re)conforto gratuita. Com esta conversa toda é fácil perceber que tive saudades da minha casa enquanto estive em Espanha, mas este QUASE dá-me alento nesta recta final. Não sei se é suposto sentir-me assim. Todos os estudantes de Erasmus que conheci gostariam de permanecer no programa eternamente. Acho que não fui talhada para estar longe daquilo que conheço, do meu ambiente natural e especialmente das pessoas a quem chamo amigos (que são poucas, mas boas). Admiro as pessoas que se adaptam a qualquer espaço, a qualquer situação. Não quero com isto dizer que não me tenha adaptado bem aqui, mas para mim a adaptação perfeita seria estar tão confortável que não sentisse falta de mais nada, que pudesse chamar Casa onde estou neste momento.

O problema é a minha personalidade, facto que me trouxe a Erasmus. Tinha que provar a mim mesma que era capaz de sair da minha zona de conforto. Sair até saí, mas não estou a pular de alegria por esse feito. Cabeças duras são difíceis de mudar e sempre vivi o presente com um pouco de pressa de chegar ao futuro: estava em Leiria com pressa de vir para Erasmus, estou em Erasmus com pressa de ir para Estágio (e tenho a certeza que quando estiver em Estágio vou morrer de ansiedade para entrar no mercado de trabalho). Nunca estou satisfeita com nada, sinal de que sou humana. O tempo há-de encarregar-se de me moldar, eu pelo menos assim espero, já que as minhas tentativas de mudar saem sempre frustradas. Será sinal de que estou bem assim?

Sinto que tenho o dever de fazer um balanço final destes meses passados, porém, vou deixá-lo para mais tarde aplicando a lei da procrastinação. Tem havido muito estudo por estes lados e fazer uma análise neste ponto do campeonato seria feita por obrigação e não é isso que quero. Para finalizar vou partilhar convosco algo que encontrei por acaso e que me surpreendeu por acertar em TUDO. Felizmente não tem nada que ver com esta neura toda dos exames e do final de Erasmus. Intitula-se "10 razões porque és Touro" (que para quem me conhece sabe que é o meu signo do Zodíaco):




10. Uma palavra: teimosa 
(é verdade, que nem uma mula)
9. O teu lema: melhor lutar do que mudar! 
(adversa a grandes mudanças) 
8. Adoras sapatos práticos 
(morte aos sapatos de salto)
7. Sabemos sempre o que vais fazer 
(sou tão previsível, é o custo de ser metódica)
6. Esforças-te demasiado 
(em tudo na vida)
5. Nunca ganhaste o prémio da "delicadeza" 
(eu bem que tento ser mais feminina)
4. Comes qualquer coisa 
(a minha mãe que o diga)
3. Desistir é um conceito estrangeiro 
(que não consta no meu dicionário)
2. És, oh, tão romântica 
(o meu pior defeito, acreditar que a minha vida ainda pode virar um filme da Disney)
1. Nasceste sobre o signo de Touro 
(11.05.1989)

24.11.10


É assim. É tudo muito bonito, mas as saudades vieram para ficar. Espanha está a ser praseirosa mas, definitivamente, não há nada como a nossa casa. Não pelo facto de ter que cozinhar ou fazer as tarefas caseiras (todos sabem que sou maníaca por limpeza e as minhas aptidões para cozinhar até melhoraram desde que cá estou), mas pelos os amigos que me fazem cada vez mais falta a cada dia que passa. Nada substitui a verdadeira amizade. E saber que sentem a minha falta também não ajuda muito... Sei que estas saudades provêm da minha parcial desilusão com Erasmus: o espírito por aqui é escasso, as pessoas estão dispersas e fomentam intrigas e diz-que-disse, o que nunca me passou pela cabeça quando me candidatei. Segóvia é uma cidade pacata, não tenho nada a apontar. A nível de aulas tudo corre lindamente (recebi um 10 esta semana, motivo de euforia, obviamente) e a bolsa Erasmus tardou, mas já cá está. Tudo deveria estar equilibrado. Pois, não está. Há um espaço em branco, aquela parte que não se preenche assim tão facilmente. Não se pode enganar o coração por mais que se tente e se invente mil e uma manobras. Oiçam de quem está a passar pela experiência, é uma tentativa falhada!

18.11.10

No passado dia 12 de Novembro tive oportunidade de participar na organização de uma visita guiada por Segóvia, para um grupo de estudantes universitárias americanas vindas de Oregon. Para além da magnífica ocasião para praticar o meu inglês com nativas (todos sabem que a mi me encanta la lengua englesa), acabei por usar também o meu espanhol, já que as referidas alunas estão em Espanha a participar de um programa de intercâmbio de 10 semanas, com o objectivo de aprender a língua de nuestros hermanos


Começamos por volta das 4 da tarde e a visita acabou
por se prolongar até cerca das 7 da noite!


A actividade foi proposta pela nossa professora de inglês Mamen Hornos. Como devem calcular foram as espanholas que organizaram o itenerário, e o facto é que no final se revelou mais interessante que a visita pela Juderia em que o grupo de Erasmus participou na chegada. Conheci mais sobre as tradições e as lendas da cidade nesta tarde do que na  manhã que passámos com a guia oficial! 


As montanhas conhecidas como La Mujer Muerta.


Uma das lendas que ouvi achei bastante curiosa, até pelo seu nome: a lenda da mulher morta. Com a lenda que uma mãe se quis sacrificar a Deus para que este salvasse os seus filhos. Deus aceitou o seu sacrifício e depositou o corpo no cume das montanhas. O povo diz que é por isso que os contornos da montanha nos recordam uma silhueta feminina! Demora um tempo, mas com alguma concentração é possível identificar o rosto, e a partir daí o resto do corpo.


Pausa para os nossos pés, Calle Juan Bravo.


Magnífica vista de Segóvia! E já há neve nas montanhas...


Céu ardente na tarde outonal.


As espanholas (organização) com o grupo no final da tarde.
Aqueduto em plan de fundo.


No fim de contas só tenho uma palavra: único! Foi uma experiência que espero vir a poder repetir num futuro próximo, apesar de saber que o quero profissionalmente não passa nem perto de Turismo. 

24.10.10

"La Plaza Mayor está enmarcada por los bellos pináculos del ábside de la Catedral, punto de reunión vespertino de las cigüeñas. De estilo gótico tardío, comenzó a construirse en 1525, con la colaboración desinteresada de los segovianos, bajo la dirección de los arquitectos de la familia Gil de Hontañón. Sustituyó a la Catedral Vieja situada en los actuales jardines del Alcázar y destruida durante la Guerra de las Comunidades en 1520."




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Já tive oportunidade de conhecer a catedral por dentro e é avassalador o sentimento enquanto caminhamos pelos corredores. É uma sensação de pequenez que só mesmo quem já visitou sabe do que falo. Deixo algumas fotos para que fiquem com curiosidade de vir até aqui conhecê-la pessoalmente.

(é incrível morar mesmo ao lado de um monumento tão grandioso!)


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Já passou um mês desde que cheguei a Segóvia, o que inclui três semanas de aulas. Como é óbvio existem diferenças e semelhanças, algumas boas e outras nem por isso. Juntei alguns pontos que pensei que vos pudessem interessar:


  • Edifícios
Ambos reúnem as condições necessárias para que uma aula seja eficaz: desde projectores que funcionam a primeira (não como em Portugal, que muitas vezes há que pedir a intervenção do técnico de informática) ao reconfortante aquecimento central, que pelo que sei também foi implementado este Verão na ESECS, juntamente com o ar condicionado. Obviamente que as temperaturas não são as mesmas, mas há que concordar que já houve alturas em que nem sentia as mãos para escrever. Aqui posso ficar de manga curta que ainda sinto calor! Em termos de acessibilidade na Faculdade de Publicidade existe elevador, o que faz  com que a barreira das inúmeras escaleras  que existem no edifício seja facilmente ultrapassada para quem tem a sua mobilidade reduzida (apesar de não dar acesso a todas as áreas da escola). A Faculdade de Turismo é nula nestes termos e posso dizer com segurança que seria praticamente impossível um portador de deficiência motora estudar lá. Se repararem são ambos antigos palácios, o que torna qualquer reforma inoperante. Para além disso, acredito que haja uma lei qualquer que proíba alterações em património deste tipo.


  • Professores
O coordenador de curso é impecável. Inclusive tentou responder em português aos nossos e-mails, acabando por dizer coisas como "reunião no meu despacho", mas o esforço é de louvar! É extremamente empático, o que facilita muito as coisas. Disponibilizou-se até a conversar com os outros professores se necessário, o que é mais do que se pode pedir. Em relação ao professores que nos leccionam as aulas propriamente ditas, quase todos se prontificaram a esclarecer eventuais dúvidas, demonstrando preocupação em falar mais pausadamente para facilitar a compreensão da nossa parte (o que é bem-vindo na hora de tirar apontamentos). Utilizei QUASE porque, como sempre, há um professor que parece ter gosto em nos dificultar a vida. Para além de ser o único que não vai incluir escolha múltipla no exame (que para quem não tem uma ampla gama de vocabulário é a salvação), dita literalmente a matéria! É a única aula que me sinto menos confortável. Imaginem-se de volta à escola primária, a darem por vocês a pensar como é que determinada palavra se escreve, e antes ainda, o que é que aquela palavra significa... Claro que enquanto consideram estas variáveis já perderam metade do que o prof. disse. Acabo por ficar frustrada, e penso que isso se nota, já que de há algumas aulas para cá reparei que repete o que diz de vez em quando! Arestas que se hão-de limar com o tempo.

  • Método de Ensino
Como já referi aqui também se recorre à utilização de diapositivos para explanar a matéria. Tê-los é que é mais complicado, já que apenas uma os disponibiliza na página da Universidad de Valladolid, página essa a que qualquer estudante tem acesso, sem necessidade de palavras-chave ou nome de usuário. No geral todos dão tempo de passar o seu conteúdo e não têm problema de voltar atrás se necessário. Há quem se apoie unicamente nas apresentações, quem traga notícias actuais e casos práticos para analisarmos, e quem faça exercícios no final das aulas. Resta, como seria de esperar, aqueles que apenas expõem os conteúdos oralmente, fazendo um apontamento ou outro no quadro. Felizmente são apenas um ou dois. Comparativamente, considero que aqui os professores tentam cativar mais os alunos, fazendo com que participem com a sua opinião ou fazendo-los pensar deixando um ideia em aberto. Vantagens de turmas com cerca de 60 a 70 alunos. De salientar que cá só agora de fez a transição para Bolonha, havendo muito menos componente prática (o chamado trabalho independente), como são exemplos os trabalhos de grupo e apresentações de trabalhos. Dependendo da crenças educacionais de cada professor faz-se apenas um exame a valer 100% da nota final, apoiado com um trabalho facultativo que ajuda na ponderação do exame. Apenas em Organização e Direcção do Gabinete de Comunicação os trabalhos valem 40%, facto que a docente desde logo justificou por ser defensora de Bolonha. 


  • Alunos
A grande diferença que salta à vista a partir da primeira aula é que aqui todos tiram apontamentos! Rapazes e raparigas, da primeira à última fila, todos têm material de escrita e seguem atentamente as definições dadas pelos professores. Vá podem tirar essas caras de espanto! Eu sei que a tive no primeiro dia. É incrível o silêncio que há nas aulas e a forma como todos prestam atenção. Não é que me incomode, pelo contrário... Só que como devem calcular não estava habituada aquele ambiente. E não estou a falar de alunos de último ano! Isto não me devia parecer algo do outro mundo, mas dei por mim a pensar que havia ali algum truque ou que tinham sofrido alguma espécie de lavagem cerebral. Não desfazendo a minha turma em Portugal, isto para nós é tipo utópico: ouve-se falar, mas não se tem a certeza que existe. Com toda a certeza que estão aqui em jogo factores como a educação e a cultura, já para não falar do sistema de valores. Psicologia à parte, estou grata que assim seja, até porque não têm problemas em emprestar os seus apontamentos (úteis na tal aula em que o professor dita tudo), ao contrário de um certo egoísmo com que todos de alguma forma já nos deparámos em Portugal.



  • Serviços e Funcionários
A reprografia para além de cara, peca na organização. Aqui os textos não são numerados, de forma a que quando se tem uma sebenta de 200 páginas que já passou pelas mãos de mais de meia centenas de pessoas, está tudo de tal forma baralhado que de perde o fio a meada. Não existe sistema de senhas e somos atendidos por ordem de chegada o que por vezes se torna um pouco confuso. Como só trabalha uma funcionária pode demorar um pouco até ficarmos despachados. Normalmente evito entrar quando vejo que está muita gente. Aqui não há refeitório, nem tão pouco serviço de bar ou cafetaria. Aliás, nem uma máquina de vending há! Portanto estou de volta ao velhos lanchinhos e snacks. A única máquina que há é de refrigerantes, aspecto que os alunos espanhóis parecem gostar, porque é frequente vê-los com Coca-colas e Fantas a matarem a sede no meio das aulas. Para mim não me incomoda muito, já que moro a 2 minuto da Faculdade e como frequentemente em casa. Relativamente aos funcionários, são acessíveis, prestáveis e têm sempre resposta pronta. 

    Resumindo e concluindo, o que falta em serviços é compensado pela forma de ensino e ambiente nas aulas. Tanto o ensino português como o espanhol têm as suas falhas, cabe aos alunos darem a volta por cima. É o que quero fazer este semestre. Voltar a Portugal sabendo que dei a volta por cima!

    8.10.10

    Na chegada. Uma das primeiras ruas que pisei em Valladolid.



    Valladolid é sem dúvida uma cidade encantadora! Nem sei por onde começar... Talvez pelo início, certo? Na sexta-feira foi a vez de visitarmos esta bela cidade, mais uma vez para um dia de orientação. Chegámos por volta das 10.30, depois de uma hora e meia de viagem desde Segóvia, e à medida que nos aproximávamos cada vez mais me dava conta que nada daquilo se parecia com a minha cidadezinha de mobilidade, com todo o devido respeito. As ruas eram largas, havia muito mais movimento e, a cada esquina, uma tienda de roupa diferente. O número de carros quadruplicara, para colmatar o excesso de pessoas. O ponto de encontro era o Palácio de Congressos, e embora já nos tivessem advertido para o facto que em Valladolid seriamos cerca de 900 estudantes, vindos de programas de mobilidade, não estava muito convencida. Teria de ver para querer!


    Palácio de Congressos da UVA.



    Bastou chegar ao campus universitário para perceber isso. As residências de estudantes eram enormes. Grandes prédios ao redor da universidade, universidade essa cujo o tamanho correspondia bem ao número de residências vistas.


    Um dos blocos de residências.



    Tudo o que vi transpirava qualidade de vida, e por uns escassos momentos invejei não estudar ali. Ao entrar no local de congressos compreendi bem o que o número 900 quantifica! Pelo que nos disseram na palestra vêm alunos do Japão, da China e até mesmo da Austrália. A minha inveja aumentou significativamente quando imaginei como seria o ambiente nocturno.


    Já no interior, com a maior parte dos estudantes de mobilidade.



    Depois de ouvirmos praticamente as mesma explicações que nos tinham sido dadas em Segóvia, foi-nos dito que à saída haveria guias turísticas que nos levariam para conhecer os pontos históricos da cidade. Começámos numa catedral (agora convertida em museu) e terminámos na Plaza Mayor, onde faleceu Cristovão Colombo, razoavelmente rico devido ao ouro que os seus homens tinham acumulado, no dia 20 de Maio de 1506.


    Na entrada da Catedral, actualmente palco do
    Museo Nacional del Colegio de San  Gregorio.


    Pormenor da fachada, com símbolos da Comunidade de
    Castilla y León.

    Uma das ruas da cidade, a caminho da Plaza Mayor.

    Plaza Mayor, o culminar da visita guiada.

    Aqui faleceu Cristovão Colombo, aos 55 anos.

    O grupo, no final da visita guiada!

    O almoço foi livre, cada um optou pelo local que mais lhe convinha. O nosso grupinho de Segóvia manteve-se mais ou menos unido, e a verdade é que eramos 7 na Pans & Company. A fome era tão pouca que ninguém se arriscou na comida típica, com receio de não ficarmos satisfeitos. Na parte da tarde a conversa foi fluindo, enquanto explorávamos a cidade. 


    Rua comercial. De salientar a figura humana no topo
    do edifício, ao fundo. 


    Aborreci-me um pouco com tanto "sai de uma loja, entra noutra", mas valeu a pena. Conforme o tempo passava percebi muitos deles seriam potenciais amigos para vida, algo deveras reconfortante. Danira e Gabi (alemãs), Klára e Martín (checos), Humberto (Venezuelano) e nós, as portuguesinhas. 


    Uma das pérolas preciosas do dia! (sem comentários) 


    Tenho que dizer a verdade. Foi nesta tarde que tive o meu primeiro encontro imediato do 3º grau! Nada previa que algo assim iria acontecer. Entrámos no Carrefour para comprar uma àgua, e lá estava ele. Sossegado, olhar meigo... Não resisti. Quando saí do supermercado não vinha sozinha. Trazia comigo um tigre de peluche de 1 metro de altura! Foi a estrela do dia. Apelidei-o de Paco, o que lhe deu ainda mais carisma. Hoje não há dia que não me perguntem por ele. Tornou-se a nossa mascote. O reencontro estava marcado para as 5 da tarde na Plaza Mayor, já que mais tarde assistiriamos à cerimónia de abertura do ano lectivo na Casa del Estudiante.


    Da esquerda para a direita: Martín, Klára, Vanessa,
    Paco e Humberto.


    A caminho da Casa del Estudiante paramos um pouco nos principais pontos turísticos, para dar oportunidade de tirarmos as últimas fotos, especificamente na Praça de Espanha e na zona do Campo Grande, locais encantadores pela arquitectura.


    A fonte da Plaza de España (a foto não era tão explícita)


    No centro do Campo Grande, a enorme fonte.


    No nosso último compromisso do dia ouvimos testemunhos de estudantes de mobilidade dos variados programas e bolsas que existem em Valladolid. Como é óbvio, todos salientaram a óptima experiência que tiveram e a forma como viver noutro país influenciou as suas vidas e carreiras profissionais. Para concluir a cerimónia assistimos à actuação do Coro da universidade, o qual vez um convite a quem gostasse realmente de cantar. Fui obrigada a morder o lábio inferior. Com uma actuação daquelas foi impossível não ficar cativada! Tenho cantado no quarto, como é hábito. Aqui não há karaoke e o meu único público é o meu senhorio, quando se coloca com o ouvido na porta do meu quarto! Hei-de sobreviver. 


    O imponente coro da UVA.


    No final fomos convidados a beber algo com o Vicerrector da Universidade de Valladolid. Havia também longas mesas com petiscos locais. O cansaço já era evidente, depois do longo dia, mesmo assim o grupo ainda mantinha o espírito.


    Em cima: Coralie, eu, Humberto e Gabi. Na parte inferior: Fátima,
    Kathy, Vanessa e Danira.


    Por volta das 10 e qualquer coisa voltámos a Segóvia. Se tivesse que escolher uma palavra para este dia seria certamente "enriquecedor". Conheci toda uma nova cidade, acompanhada de pessoas excepcionais e ainda ganhei um companheiro de quarto. O que é que se pode pedir mais? Após tanta acção, não consegui esconder a fadiga e fui apanhada desprevenida:


    Sleeping Beauty.

    27.9.10

    Na passada quinta-feira tivemos o dia de orientação aqui em Segóvia com os restantes Erasmus. Confesso que estava bastante ansiosa para conhecê-los. Já sabia que havia mais portugueses da nossa escola, agora faltava o resto... Na parte da manhã estivemos com a Prof. Pilar del Río, coordenadora do gabinete de Relações Internacionais e com a becaria Cristina, que trabalha no mesmo gabinete. Papeladas e intruções à parte, podemos apresentar-nos, dizendo de onde vínhamos e qual o curso que vamos frequentar. Somos cerca de 30, vindos de países europeus como Portugal, França, Alemanha, Itália, República Checa e Polónia. Do outro lado do atlântico vieram três brasileiros e um Venezuelano! Digamos que a troca de ideias e cultura (os palavrões também fazem parte da cultura, não é verdade?) estão na ordem do dia, todos os dias. Após a reunião, foi-nos proporcionada uma visita guiada pela Judería, a parte da cidade que antigamente pertencia ao judeus. 


    O grupo na entrada para a sinagoga, que actualmente é um convento.


    Fiquei um pouco desiludida, já que pensava que nos iam levar a uma tour no autocarro turístico. Ao que parece não são só os portugueses que têm o orçamento curto... Apesar de tudo foi enriquecedor poder conhecer La Sinagoga Mayor (sec. XIII) e um pouco da sua história. 


    A descer para a entrada principal.


    A guia contou-nos que o motivo que levou os cristãos a conservar a sinagoga é baseado numa lenda, segundo a qual um grupo de judeus terá querido queimar um pedaço de hóstia cristã e esta terá voado, dando uma volta pela cidade, regressando novamente à sinagoga. A lenda foi passada para um quadro, ilustrando o que terá sido presenciado pelos judeus naquela altura. 


    Já dentro da sinagoga.


    O quadro, cujo o autor não me recordo.


    Visitámos também o centro didáctico da Judería, onde nos foi dado a conhecer mais um pouco do que foi a presença da comunidade judia na cidade. 


    Uma das ruas antigas da Judería (se semi-cerrarmos os olhos
    quase que se torna o terreiro de Leiria!)


    Na Calle del Sol, onde antigamente se situada uma das portas da
    cidade, a caminho do centro didáctico.

    Na entrada.


    Alguns dos objectos judeus em exposição.


    Terminámos no limite da cidade, observando o local onde os judeus enterravam os seus mortos e visitando o museu de Segóvia. 


    Vista da zona limítrofe da cidade.


    Cheguei a casa com uma valente dor de pés e uma fome do tamanho do mundo. Afinal já eram duas e qualquer coisa da tarde e o pequeno-almoço há muito que já tinha ido. Mesmo não tendo havido oportunidade para conhecermos melhor, o grupo pareceu-me simpático à primeira vista e já se podiam adivinhar os bons momentos vindouros!